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AUTORES:
Lucas de Oliveira Rebelato
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Yuri Gabriel Correa Ancelmo
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Aline Maria Peres
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Camila Rodrigues da Silva
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Igor Henrique Buscain de Almeida
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CAPÍTULO PRIMEIRO
Numa noite gélida de
fortes trovoadas, na infausta intempérie que irrompe o céu, em 1910, Angeline
uma jovem criativa, imaginativa, de pele lívida como a neve, de fulgente
candidez, lábios rubros, quentes e ávidos de um beijo, porém intangível, cabelos
vermelhos como o fogo, e olhos verdes como a natura infindável do mundo, expõem
sua força, coragem e independência para julgar uma decisão que mudaria sua vida
completamente. Este ano foi o ápice de tudo que Angeline poderia suportar, chegou
ao fim sua imagem ingênua de menina, agora se transformara em uma mulher e
deveria se comportar como tal.
Cresceu na bela cidade de
Veneza, em meio a uma família desestruturada e uma grande tristeza recente,
passou por cima disto tudo e se aventurou em uma viagem sem destino, por cidades
que desconhecia na magnífica e vasta Europa.
Estabelecendo-se
agora em 1913, em Florença, uma linda, inefável e fúlgida jovem não passa
despercebida, ascendendo-se sobre todos, sem conhecer as ruas das cidades por
onde transita seus pés a levam sempre num lugar em comum, onde se sentia à
vontade, em sua zona de conforto.
Sentada
numa lápide qualquer, lamuria sofrimentos que passou ao lado de sua avó e suportou
sozinha após a sua morte:
-
Olá de novo, Elizabeth, eu estou com saudades de você, de quando íamos ao
cemitério e apreciávamos a natureza mórbida, lembro da primeira vez que você me
levou lá, com estranheza e repúdio, te perguntei a razão de gostar daqueles
locais e olhando no fundo dos meus olhos, com toda a certeza do mundo e a
sinceridade de uma criança, respondeu: “- Quando a morte é tão bela, é doce
morrer”. E aquele cenário repleto de pessoas desfalecidas e flores arrefecidas
se curvava ao nosso redor, nos aplaudiam, te fazia rejuvenescer, lembrando dos
seus tempos de glória.
Enquanto
ideologicamente falava com sua avó, Angeline vê a transposição de uma figura
masculina ao lado de árvores desfolhadas naquele cenário monocromático.
-
O que uma mulher tão bonita faz neste lugar conversando sozinha?
-
Que susto! De onde você veio?
-
Eu estava passando por aqui, escutei uma voz e decidi vir aqui pra ver quem era
a louca.
-
Não sou louca, apenas estou conversando com a minha avó.
-
Onde ela está? Não estou vendo.
-
Ela está morta.
-
Aqui?
-
Não.
Sem mais explicações ela
deu-lhe as costas e saiu, ele correu atrás dela e a segurou pelo braço de
maneira formosa e singela.
- Aonde você vai? Nem me
disse o seu nome! Eu sou Pietro, encantado.
Sorrindo, Angeline afaga o
semblante de Pietro e continuando sua jornada sem rumo, deixa ali um homem com
sua paixão efervescente e pulsante no coração.
Pietro era um jovem
italiano, estudante de medicina de uma família tradicional e grande, que se
estendia até a Alemanha, onde ele passava suas férias desde criança e estava
com passagem marcada para a próxima semana.
A cidade era Hamburgo e
ele mantinha laços amigáveis com pessoas de lá. Seu melhor amigo era Stevan, um
jovem educado, gentil e cavalheiro, porém sua família era pobre e sua mãe,
Helena era viúva, o que o tornou homem mais cedo que os garotos de sua idade.
Stevan estava ansioso para
chega de seu amigo e sua mãe vendo-o diferente pergunta:
- Qual o motivo da sua
agitação?
- Acabei de receber uma
carta de Pietro, ele vem para Hamburgo
na próxima semana.
- Já faz tempo que não o
vemos. Na carta diz mais alguma coisa?
- Ele está com receio de
que seja recrutado para a guerra que está por vir, quer aproveitar a vida e não
pensar nisso. No período que ele estiver aqui não vamos falar em guerras.
- Estou com medo por você
meu filho, as suas chances de ir para a guerra são maiores que as dele, não
suportarei se você for!
- Fique calma minha mãe,
eu construirei o meu destino.
Stevan era contra a
guerra, mas estava pronto para defender seu país se preciso. Sempre pensou em
servir à aeronáutica, mas saber que sua mãe era fraca e sozinha, o prendia em Hamburgo.
Já Pietro gostava de uma parte mais trágica e destruidora da guerra, a morte e o
sofrimento, o choro e a agonia, estes que explicitam-se no instante em que na
frase: “O meu espírito vai se consumindo, os meus dias vão se apagando, e só
tenho perante mim a sepultura...”, observa-se como perdedor e merece a morte, presente
na carta que enviara a Stevan.
Dias depois o momento
conclui-se, na estação ferroviária chegava o trem 726 vindo da Itália, e Pietro
estava nele. Ao descer do trem e ver seu grande amigo, Pietro abraça Stevan que
não via há mais de um ano.
- Pietro!
- Stevan, quanto tempo!
- Os estudos estão tomando
todo meu tempo, não tenho se quer um segundo para escrever uma carta.
- Mas e as bebidas?
- A meu caro amigo, desta minha
fiel companheira não me separo tão cedo, não desvalorizo outras, mas ela me
entende. Como dizia Lorde Byron “Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri.”
- Não seja hiperbólico
Pietro, aproveite a vida e sinta o sabor prazeroso que ela pode nos
proporcionar.
- Só sentirei esta volúpia
com uma única mulher.
- Quem é esta sortuda?
- Não sei o nome dela, a encontrei
em um cemitério falando sozinha lá em Florença, uma mulher que mexeu com meu
coração, graciosa como o cair de uma pena, de olhos verdes e cabelo vermelho,
pálida, após me ver levantou e em uma lacônica conversa começou a vagar pela
rua sem parâmetros a seguir, lânguida, de aspecto melancólico.
- Todo esse tempo para
identificar tantas características respectivas a ela e um simples nome não lhe
foi entregue.
- Você não entendeu bem,
eu estava em uma casa de ópio e ao sair de lá, caminhava ao redor do cemitério
da cidade, ouvindo uma voz fui ver o que era e ela apenas pareceu-me um anjo,
uma virgem de inerente pureza e beleza natural, que ao tocá-la se foi com o
vento, desvaneceu em minha frente e me deixou ali só. Estou cansado de viver, mais
ao lado dela sinto que conseguirei prosseguir minha vida e amar, se não foi
somente devaneio.
- Você ainda tem esperança
de encontrá-la se realmente a viu?
- Como você sempre diz “Se
for o meu destino”. Dá-me a esperança com que o sempre mantive.
Aos risos continuaram
andando, até a grande residência da família de Pietro, onde combinaram de se
encontrar mais tarde.
- À noite me conte mais
sobre este inefável anjo.
- Tudo bem. Eu vou
descansar desta longa viagem e à noite reencontraremos os velhos amigos que
aqui fiz com você, há quanto tempo não os vejo. Todo mundo faz papel de
histrião.
No caminho de volta para
sua casa, Stevan retorna a estação ferroviária, quando percebe que esqueceu seu
chapéu, no banco em que esperava Pietro. Ao chegar lá, outro trem tinha vindo
de Paris e nele uma passageira se destacou. Seu cabelo estava preso, de costas
parecia um homem, mais ao virar mostrou a beleza de uma mulher independente e
que ofuscava os olhos de Stevan. Distraída e desastrada, esta mulher parecia
mais uma menina, um homem apressado sem percebê-la derruba toda a sua pouca
bagagem.
- Quer ajuda?
- Não preciso, eu já estou
recolhendo.
- Meu nome é Stevan, disse
ele recolhendo mesmo assim algumas vestimentas.
Num relance viu o rosto
dela, quantos doces pensamentos, quantos desejos floresceram naquele olhar. Ao
juntar toda a bagagem, a bela moça esbanjou um lindo sorriso de agradecimento e
apressada, perdeu-se no meio daquela aglomeração de pessoas, deixando ali
Stevan sem reação a refletir: “Quem é aquela linda moça?”.
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