AUTORES:
Karoline Aparecida dos Santos
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Capitulo I
É minha alma que vos fala. A história
se deu por inicio, em tempo dos desabrochamentos das flores, com a vivacidade
dos cantos das aves e a exalação dos sentimentos.
Em terra de Napoleão, o sol calmo,
enraiava a tez lisa e branca de Pierre Bolvier, que fixara seus olhos
esverdeados aos meus; entrelaçando o sentimento mais puro e belo, onde tudo que
se flui, se comporá em notas de tristeza que me traze-a ao destino desgraçado.
Pierre era composto de uma beleza
inigualável, seus cabelos negros, lábios rubros que levavam ao êxtase a
luxuria; sua voz doce de um timbre suave com pitadas de grotesco, já eu, que
não me achava tão bela, aos olhos de meu amado, se distinguia, que dizia:
“Charlote Desrosiers, mulher de minhas
utopias, teus olhos da cor do mais puro doce mel, que me alucina a razão, e ao
pensar em seus longos cabelos lisos caídos aos ombros negros como a capa de
seda da morte, que palpita o peito, faz-me entregar as meninices da juventude.
Seus seios robustos enfeitam o maravilhoso monumento que és seu corpo, se junta
ao brando sorriso com suas bochechas rosadas, por ti doei-me com a fusão das
nossas almas, que se preciso for, morrerei”.
Era ano de comemoração de um século da
Revolução Francesa, 1889, Pierre encontrava-se a duas quadras do Champ de Mars, estávamos em sua
residência, ambas as famílias tinham convivência estável. Era já crepúsculo
vespertino, que alaranjava e traçava feitos de melancolia em nossas almas,
quando de um súbito, indescritível, nossas visões se encontraram; fora como o
renascimento dos espíritos que se desejara, platonicamente.
Foi então que Pierre, tomando dois
passos e chegando defronte a mim, dirigindo palavras que não me recordo, pois o
contemplava de modo sublime; apenas respondi com um sorriso, aclamando a Deus
que não fosse uma pergunta, quando percebo uma movimentação vinda da cozinha.
De repente ouço o som anunciando que o
jantar estaria pronto. Michelangelo, pai de Pierre, com seu estrondoso bigode,
e por vez sua estimação, dirigindo-se de uma forma aprumada a papai, este
ordenou:
- Hei de tu e sua família jantardes
conosco esta noite! Mandei acrescentar o sustento necessário, és uma intimação-
disse olhando fixamente a papai.
- Pois não hei de rogar meu caro! És
de extrema nobreza que aqui conservemo-nos - disse o velho rindo e abraçando o
seu companheiro.
- Então, que nos acomodemos!- disse a
senhorita Marrie, mãe de Pierre.
Compus-me
a mesa, de Modo cortês. O moço, se não me falha a memória, sentou-se ao meu
lado, ajustando a cadeira, aproximando-se de minha fisiologia. Atrevi a examiná-lo mascaradamente, embora
quase infarto ao notar que este estava a observar-me reciprocamente.
De modo sucinto, desde então, papai e
senhor Michelangelo se uniram mais e mais. E, por conseguinte, devido aos anos
vividos, Pierre e eu, Charlote Desrosiers, tornamos grandes amigos, embora
ocultamente nossos corações tinham ânsia da concretização das utopias
encobertas. Porém, sabíamos que para se ter um alicerce de boa qualidade,
necessita-se conhecer a região do futuro império das paixões.
As folhas mortas ao chão, com as
árvores nuas, e animais que dormem de sono profundo. O inverno chega a Europa,
acrescentando aspectos sombrios, fúnebre, que me deixava ainda mais angustiada.
Era noite de Natal. O gelo se esparramava as ruas de Paris. Pessoas felizes,
sorrindo a todo momento umas as outras, desejando mecanicamente as felicidades
divinas. Meu rosto, composto de mascara teatral alegre, estava repleto de
dúvidas anteriores, como: “Hei de me declarar? Mas sou mulher, essa é obrigação
dele! Será que me amas como o amo?
Mergulhada no desespero, eis que a
causa, chama-me para o acompanhar, em uma típica caminhada matinal, que sempre
fazia sozinho. Decido ir, empós despedir de meus pais e caminharmos algumas
ruas, este se atreve:
- Charlote, tenho que confessar-lhe
algo...- disse de modo preocupado
-Diga-me meu amado amigo, o que te
passas?
- Charlote – Suspirou fundo- amo-te
como nunca amei ninguém, tu és o sol que me alumia, a agua que embebo, por ti
sacrifico minha felicidade se preciso for!
Meu coração disparou
incontrolavelmente. A vontade de dizer que nossos sentimentos eram
igualitários, que sempre o amei, era mais forte que minha alma, porém erro ao
dizer:
-Pierre meu amigo- ao pronunciar esta
ultima, este baixou sua cabeça, e resolvo mudar... - Pierre! És correspondido!
Ao declarar tal sentença, entreguei-me
a Afrodite. Este levantara seus ânimos e inesperadamente arrancou-me um beijo
de seus fervor, satisfazendo todas minhas vontades interiores. Nossos espíritos
desprenderam-se dos corpos. Fomos levados ao reino que construímos.
Pausadamente, voltamos à rua que de nevasca se transbordava, em que apenas
proferi:
- Je T’aime!
Meu sentidos se restabelecem, como a
fênix que renasce das cinzas, ademais, voltamos a cada de Pierre, e por fim,
aclamar nosso amor as famílias, que nos conceberam gentilmente.
Impulsionado pela mãe, o moço de 20
anos, dobrava seus joelhos diante a mim, e pronuncia o que tanto roguei:
-Charlote, conceba a honra de fazer,
tu, minha esposa? – disse ofegante com os olhos lagrimejantes.
- Oh meu amado! Somente Deus sabe o
quanto por isso esperei... Sim! Concebo-te!
Após o fato narrado se suceder, o
relógio move-se a meia noite. Era Natal, Jesus nascia. Cantos são aclamados; a
felicidade reina. Era tempo de alegria, que renovada, estava concebida da
pureza dos céus. Ia tornar-me enamorada eternizada de meu amado, onde nossas
almas se entrelaçaram infinitamente, quando durável...
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